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O cérebro recorda de uma informação quando o padrão de suas atividades neurais se torna semelhante ao de quando a informação foi registrada. O que significa dizer que uma determinada informação se torna mais fácil de ser acessada se estudada em contextos diferentes, pois o cérebro criará padrões de atividades diferentes para a mesma informação.

Referência:
Gui Xue, Qi Dong, Chuansheng Chen, Zhonglin Lu, Jeanette A. Mumford, and Russell A. Poldrack. Greater Neural Pattern Similarity Across Repetitions Is Associated with Better Memory. Science, September 9 2010 DOI: 10.1126/science.1193125

Os participantes do estudo responderam a um questionário que mede o quanto eles confiam em outras pessoas e depois assistiram a gravações de entrevistas em que metade era sincera e outra metade havia mentiras. Constatou-se que os indivíduos que alcançaram maiores escores em “confiança no outro” também obtiveram mais sucesso em detectar mentira. O resultado sugere que, justamente por ter uma habilidade em reconhecer mentiras, um indivíduo pode confiar no outro com menos riscos que alguém que tenha essa habilidade menos desenvolvida.

Referência:
N. L. Carter, J. Mark Weber. Not Pollyannas: Higher Generalized Trust Predicts Lie Detection Ability. Social Psychological and Personality Science, 2010; 1 (3): 274 DOI: 10.1177/1948550609360261

Duas crianças são abusadas por um professor de baseball de uma pequena cidade do Kansas. Neil McCormick e Brian Lackey: vítimas da mesma perversão, mas com reações distintas à experiência.

Neil (Joseph Gordon Levitt), um garoto de 8 anos criado pela mãe, encontrou no treinador uma fonte de “acolhimento” e “amor”. Visivelmente constrangido no início, Neil começa a gostar das “brincadeiras” e se sente especial por ser o Preferido e o garoto de confiança do treinador. E por mais ignóbil que essa relação possa ser, para Neil foi uma experiência agradável. Tanto foi que se tornou homossexual.

Aqui entra um debate polêmico: ele se tornou homossexual porque gostou da experiência ou gostou da experiência porque já tinha alguma propensão à homossexualidade? Para mim, da mesma forma que uma pessoa se torna inteligente, comunista ou socialista, jogador de futebol ou empresário, gordo ou magro, ela se torna homossexual. Pode ser que haja em suas raízes biológicas genes que influenciem sua opção sexual, mas sem dúvida as experiências vividas, sobretudo na infância, pesam nessa transformação. Um sujeito pode ter propensão a ser magro, porém seu modo de vida é que vai determinar se o será ou não.

Em contraste com Neil, Brian (Brady Corbet) teve uma experiência traumática, desenvolvendo uma amnésia psicogênica rara (quando trechos da vida somem permanentemente da memória). Para suplantar essa lacuna em suas lembranças, Brian passa a acreditar que foi abduzido por extraterrestres, deixando a experiência traumática afastada de sua consciência. Contudo, seu inconsciente não pode ser reprimido durante o sono, e aí os fragmentos da verdade vêm à tona. Além disso, as emoções que tivera durante o abuso emergem a cada vez que ele vivencia situações semelhantes, como aconteceu quando enfiou a mão no cavalo morto ou quando Avalyn abaixou suas calças. Intrigado, Brian foi em busca da verdade sobre sua infância.

Dez anos depois dos abusos, as vidas de Neil e Brian voltam a se cruzar. E reviver os fatos pode ser mais penoso do que o próprio fato em si.

O tema é um tabu e as cenas são perturbadoras. Eis aqui mais um filme que não se deve assistir em família.

Sob condições controladas, 36 pessoas saudáveis, sem histórico de psicose ou transtorno bipolar, experimentaram a psilocibina (princípio ativo de cogumelos). Sessenta por cento dos participantes relataram que tiveram uma “experiência mística completa”. Um terço disse ter tido a experiência espiritual mais significante da vida, e mais de dois terço disseram que a experiência foi uma das 5 mais significantes. Dois meses depois, 79% relataram ter moderada ou grande melhora no bem-estar ou satisfação com a vida.

Referência: eurekalert

Como os egípcios, sem o uso de tecnologia avançada, conseguiram fazer uma pirâmide simétrica, com milhares de pedras pesadíssimas e que pouco se desgastou em milhares de anos? Como as civilizações ameríndias construíram e carregaram monólitos gigantescos por centenas de metros? Os acabamentos de suas paredes são tão precisos que, afirmam especialistas, somente com equipamentos avançados se poderia fazer igual. O que um mapa mundi com detalhes de rios do interior brasileiro e do continente da Antártida fazia com um navegador do século XVI? Esses rios e a Antártida ainda não haviam sido descobertos. Detalhe: o continente estava com seu território terrestre perfeitamente desenhado, o que só é possível de se fazer com o uso de laser, pois a camada de gelo cobre a terra.

Os documentários “Alienígenas Ancestrais” e “Eram os Deuses Astronautas?” afirmam que esses fatos nos levam a crer que, há muitos anos, nosso planeta recebeu a visita de uma civilização mais avançada de seres extraterrenos.

Na Bíblia, em lendas, nos manuscritos e livros antigos, várias são as passagens de Deuses e Anjos que desceram do céu. A hipótese desses documentários é de que nossos ancestrais simplesmente atribuíram a esses seres que vieram de outro planeta um status divino.

Parece absurdo? Se tem gente que acredita que divindades desceram do céu, por que não dar uma chance a essa nova hipótese?

Apesar de ser um pouco dogmático, vale a pena conferir os dois!

Eram os Deuses Astronautas?: Lista de reprodução (11 partes) [YouTube]

Alienígenas Ancestrais: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5 | Parte 6 | Parte 7 | Parte 8 | Parte 9 [YouTube]

O filme é baseado na história real de Chris McCandless, um jovem de família abastada, considerado um aluno diferenciado intelectualmente, recém formado e com notas boas o suficiente para lhe garantir uma vaga em Harvard, mas que decide largar tudo para vagar pelas estradas. Influenciado pela leitura de Tolstoi, Jack Landon e Henry Thoreau, McCandless estava convencido de que deveria deleitar-se vivamente da natureza.

Abençoado por uma fotografia encantadora e por uma trilha sonora impecável, o filme começa com McCandless (Emile Hirsch) já em sua aventura derradeira: o Alasca. A história de sua experiência na grande terra gelada é intercalada com flashbacks de seus dois últimos anos, narrados por Carine (Jena Malone), que pouco a pouco nos conduz pelos caminhos percorridos por McCandless a fim de nos mostrar o que o motivava tão vigorosamente.

Desde muito cedo McCandless exibia seu espírito explorador e aventureiro, saindo de casa no meio da noite, aos 4 anos de idade, para entrar na casa do vizinho e saquear a gaveta de doces. Sua relativa independência perante os pais também é visível. A relação que tinha com eles passou a ser mera formalidade desde que descobriu que seu pai não tivera uma separação amistosa em seu primeiro casamento. Walt (William Hurt) levara por muito tempo uma vida bígama, sendo Chris e Carine os filhos bastardos. Desde então, Chris via sua infância “como ficção” e seu desprezo pelos pais nunca diminuiu.

Quando decidiu sair pelas estradas, McCandless doou os 24 mil dólares que tinha no banco para uma instituição de caridade, queimou os cento e vinte dólares que tinha na carteira e abandonou o seu carro no deserto. Rasgou seus documentos e assumiu uma nova identidade: Alexander Supertramp. Levava consigo apenas uma câmera fotográfica, livros e uma mochila com algumas roupas e utensílios básicos para acampar. Era a provação, para si mesmo, de que os bens materiais eram desnecessários, tanto quanto possível, para a felicidade.

Carismático, McCandless conseguia caronas facilmente e cativava as pessoas com suas histórias. Surpreendia a todos que um jovem instruído como ele pudesse levar uma vida tão desapegada materialmente e trabalhar em empregos simples quando necessário. Mas McCandless não era só falador, ele também dava muita atenção ao que os outros tinham para dizer e isso fazia com que apreciassem sua companhia. Poucos dias de convívio eram suficientes para as pessoas se entristecerem quando McCandless partia em suas empreitadas.

E cada uma de suas aventuras foi narrada com distinção e sensibilidade no filme, transmitindo exatamente o que McCandless buscou em vida. Na Natureza Selvagem faz despertar nosso espírito aventureiro que por ventura possa estar adormecido, resgata o modo de vida simples que a sociedade consumidora nos furtou e deixa-nos com a certeza de que há filmes que nos transformam.

### ALERTA: o parágrafo abaixo contém spoilers. ###

No Alasca
Para chegar ao “Ônibus Mágico”, McCandless transpôs um estreito riacho. Este mesmo riacho o impediu, por volta da nona semana, de regressar de sua aventura, pois o gelo do inverno derretera e o que era uma fina corredeira se tornara um violento rio. “Impossível atravessá-lo”, registrou em seu lacônico diário. Seu retorno teve então que ser procrastinado até que o rio voltasse à calmaria. Porém, a quantidade de calorias que McCandless estava consumindo era menor que a quantidade que gastava, obrigando-o a adicionar raízes e sementes à sua dieta. Com um livro sobre os espécimes de plantas nativas da região nas mãos, Chris fez suas colheitas… até cruzar o caminho do azar. McCandless ingeriu ervilha-de-cheiro selvagem, uma planta não comestível parecida com raiz de batata selvagem, da qual vinha se nutrindo. Os sintomas eram paralisia, inibição da digestão e náuseas. Demasiado fraco para buscar ajuda, o McCandless cujos brilhos dos olhos refletiam vitalidade ficou irreconhecível em seus sombrios dias finais. Parece que o destino lhe pregou uma peça, pois o comovente fado daquele amante da liberdade que doou todo o seu dinheiro para o combate à fome foi perder lentamente os movimentos e morrer de inanição. Valeu à pena? Acho que o próprio McCandless pode responder esta questão:

Tive uma vida feliz e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus abençoe a todos
- Christopher Johnson McCandless
(Em suas últimas notas do diário)


Into The Wild| 2007 | Estados Unidos | Direção: Sean Penn. Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Brian H. Dierker, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart, Hal Holbrook. 148 min

Aalst, Bélgica, final do século XIX. No meio da neblina matinal emergem os trabalhadores rumo às fábricas. O sono, o cansaço e a fome os atingem de tal maneira que esse ritual diário poderia ser confundido com a marcha de zumbis dos filmes de terror. Quem dera fosse mesmo um filme de terror, para que se pudesse assistir e dormir tranqüilo, sabendo que tudo aquilo não passou de ficção. Mas, não!, aquilo realmente aconteceu no surgimento do capitalismo industrial.

A pacata vida em Aalst, uma cidade flamenga, começa a mudar com a chegada do Padre Daens (Jan Decleir). Designado para assumir a Igreja local e, nas horas vagas, lecionar os filhos da alta burguesia, Daens acaba entrando em contato com as camadas populares. Vendo de perto a miséria em que se encontrava a maioria das famílias e sensibilizado com os relatos de exploração, o padre passou a usar o jornal católico para expressar seus pensamentos e sua indignação. Uma atitude simples que injetou esperança na população.

O filme deixa claro a difícil tarefa que é mobilizar as classes marginalizadas. Mesmo sabendo que são maioria – e, conseqüentemente, poderiam fazer uma forte pressão por melhores condições -, os trabalhadores não conseguem se organizar em conjunto. O medo, a ignorância e o desamparo arraigado em suas almas fazem os explorados aceitarem suas situações passivamente. Foi preciso uma figura externa (o padre), advinda da própria classe dominante, para liderá-los e lutar por seus direitos.

Mas essa é uma luta quase impossível. E as dificuldades que o padre enfrenta quando decide apoiar as causas populares acabam por revelar os inimigos do povo. Até o Papa, de quem mais se espera justiça, se mostra tendencioso e põe entraves no caminho de Daens – deixando claro o lado que a Igreja defendia.

E apesar das adversidades, Daens fez dessa luta o sentido da sua vida, semeando esperança no coração dos operários e suas famílias. Com a fé renovada, a classe operária uniu-se e provou que para transformar a realidade é preciso vontade e, às vezes, sacrifício.

Daens: um Grito de Justiça mostra a situação dos operários europeus quando o capitalismo industrial dava seus primeiros passos. Sua dimensão é tão real e impactante que o filme é comumente usado em cursos de História e Sociologia para passar aos alunos uma imagem fidedigna do que foi aqueles tempos.