por André V.K. - quinta-feira, 11/06/09 às
19h51.
[Artigos]
Quais as consequêcias do RPG (Role-Playing Game) no desenvolvimento de um indivíduo? Muitos mitos giram em torno deste jogo que superou inúmeras barreiras de preconceito e que agora vive uma época de relativa paz em relação aos ataques difamatórios. Hoje vemos que nada de concreto se pode afirmar contra este jogo e infindáveis evidências se mostram a seu favor.

O que é o RPG?
Numa explicação bem simplista, o Role-Playing Game ("Jogo de interpretação de papéis") trata-se de uma viagem na imaginação, na qual o Mestre narra uma aventura envolvendo personagens que são interpretados pelos demais jogadores.
No decorrer do enredo, os personagens deparam-se com alguns desafios elaborados previamente pelo Mestre. Esses desafios são obstáculos que impedem os jogadores de alcançar o objetivo proposto no início da aventura - ora podem ser questões enigmáticas, cuja solução exigiria um exercício imaginário dos participantes, ora podem ser vilões, que então precisariam ser superados numa batalha.
Nesta simplória explicação, pode parecer que o jogo possui um início e final pré-estabelecidos pelo Mestre, mas não é bem assim. A construção da história se dá em duas vias: o mestre estabelece algumas condições, mas não pode prever o que vai acontecer, pois os demais jogadores atuam na história e podem mudar o seu rumo. Embora o mestre possua artifícios para manter o controle da direção da história, eles não devem ser usados deliberadamente sempre que os personagens fugirem do roteiro previsto, senão o jogo ficaria insuportavelmente determinista. É neste ponto que entra a flexibilidade e a adaptação do narrador - cujo papel no jogo requer a maior habilidade.
Preconceito
Nos anos 90, quando o RPG começava a se popularizar, vários ataques surgiram contra a imagem do jogo. A mídia sensacionalista também ajudou na disseminação dessa impressão.
Por causa de alguns jovens que participavam de seitas satânicas, que se vestiam como os vampiros dos filmes, que cometeram assassinatos, suicídio e autoflagelação, e que tinham em comum o hábito de jogar RPG, ficou taxado que todo rpgista era um ser do mal. (Não pararam para pensar que eles também dividiam muitos outros pontos em comum: assistiam televisão, filmes de violência, liam livros, assistiam desenhos, etc.)
E foi assim que pessoas que não sabiam absolutamente nada sobre o jogo usaram-no de bode expiatório para alguns crimes ou atitudes não sociais.
O preconceito começou a diminuir quando as pessoas começaram a se informar mais a respeito do jogo e, principalmente, com o advento dos jogos de RPG para videogame e computador, pois assim os indivíduos se tornaram mais cautelosos antes de acusar um jogo que eles próprios jogavam.
Trivialização
O problema de alguns jogadores de RPG é o excesso de importância dado às lutas, reduzindo a aventura a uma disputa de dados onde o objetivo acaba sendo o acumulo de experiência para fortalecer as habilidades do personagem. As batalhas são realmente muito importantes para a dinâmica do jogo, mas não devem ser o foco principal. Elas devem ser equilibradas com inserções de desafios que exijam criatividade. A boa aventura não ressalta a importância da força do jogador, mas sim sua sagacidade.
Programas de desenvolvimento da criatividade
Alguns tabus também estão presentes quando se fala de criatividade. Muita gente pensa que é um dom divino, ou seja, se você não nascer criativo, então jamais será. É igualmente comum pensar que ou se é criativo ou não se é, sem a existência de um meio termo ou de que seja uma habilidade que possa ser treinada. Mas muitas pesquisas na área da educação vêm provando o contrário.
Diversos programas de desenvolvimento da criatividade aplicados em crianças e adultos ao redor do mundo tiveram resultados significativamente positivos. Indivíduos que passam por esses programas, quando comparados com outros que nunca participaram, são expressivamente superiores em medidas de criatividade.
O que nos interessa aqui sobre esses programas é que, na maioria deles, são aplicadas técnicas para exercitar a imaginação muito semelhantes ao que o RPG propõe. Em um desses treinos com crianças, por exemplo, elas desempenhavam o papel de um detetive para solucionar um mistério.
É evidente que nesses programas incluem outras técnicas, mas a estimulação da imaginação, que é o principal treino, é muitas vezes superior quando se joga RPG. O reconhecimento disso é que muitas escolas ao redor do mundo já adotam o RPG como prática pedagógica.
Conclusão
Por fim, o que se pode dizer a respeito de uma criança que joga RPG é que ela estará exercitando sua imaginação muito mais do que as outras crianças, desenvolvendo assim sua criatividade. Estará também aprendendo muitas novas palavras, pois no RPG costuma-se usar um vocabulário mais formal e romântico, além de que para se jogar RPG é preciso ler bastante. A leitura, neste caso, não é problema, pois o que é lido é algo que interessa e agrada à pessoa, ao contrário do que acontece nas escolas com as famosas leituras obrigatórias, que deixam os alunos com medo até de Machado de Assis.

O que é o RPG?
Numa explicação bem simplista, o Role-Playing Game ("Jogo de interpretação de papéis") trata-se de uma viagem na imaginação, na qual o Mestre narra uma aventura envolvendo personagens que são interpretados pelos demais jogadores.
No decorrer do enredo, os personagens deparam-se com alguns desafios elaborados previamente pelo Mestre. Esses desafios são obstáculos que impedem os jogadores de alcançar o objetivo proposto no início da aventura - ora podem ser questões enigmáticas, cuja solução exigiria um exercício imaginário dos participantes, ora podem ser vilões, que então precisariam ser superados numa batalha.
Nesta simplória explicação, pode parecer que o jogo possui um início e final pré-estabelecidos pelo Mestre, mas não é bem assim. A construção da história se dá em duas vias: o mestre estabelece algumas condições, mas não pode prever o que vai acontecer, pois os demais jogadores atuam na história e podem mudar o seu rumo. Embora o mestre possua artifícios para manter o controle da direção da história, eles não devem ser usados deliberadamente sempre que os personagens fugirem do roteiro previsto, senão o jogo ficaria insuportavelmente determinista. É neste ponto que entra a flexibilidade e a adaptação do narrador - cujo papel no jogo requer a maior habilidade.
Preconceito
Nos anos 90, quando o RPG começava a se popularizar, vários ataques surgiram contra a imagem do jogo. A mídia sensacionalista também ajudou na disseminação dessa impressão.
Por causa de alguns jovens que participavam de seitas satânicas, que se vestiam como os vampiros dos filmes, que cometeram assassinatos, suicídio e autoflagelação, e que tinham em comum o hábito de jogar RPG, ficou taxado que todo rpgista era um ser do mal. (Não pararam para pensar que eles também dividiam muitos outros pontos em comum: assistiam televisão, filmes de violência, liam livros, assistiam desenhos, etc.)
E foi assim que pessoas que não sabiam absolutamente nada sobre o jogo usaram-no de bode expiatório para alguns crimes ou atitudes não sociais.
O preconceito começou a diminuir quando as pessoas começaram a se informar mais a respeito do jogo e, principalmente, com o advento dos jogos de RPG para videogame e computador, pois assim os indivíduos se tornaram mais cautelosos antes de acusar um jogo que eles próprios jogavam.
Trivialização
O problema de alguns jogadores de RPG é o excesso de importância dado às lutas, reduzindo a aventura a uma disputa de dados onde o objetivo acaba sendo o acumulo de experiência para fortalecer as habilidades do personagem. As batalhas são realmente muito importantes para a dinâmica do jogo, mas não devem ser o foco principal. Elas devem ser equilibradas com inserções de desafios que exijam criatividade. A boa aventura não ressalta a importância da força do jogador, mas sim sua sagacidade.
Programas de desenvolvimento da criatividade
Alguns tabus também estão presentes quando se fala de criatividade. Muita gente pensa que é um dom divino, ou seja, se você não nascer criativo, então jamais será. É igualmente comum pensar que ou se é criativo ou não se é, sem a existência de um meio termo ou de que seja uma habilidade que possa ser treinada. Mas muitas pesquisas na área da educação vêm provando o contrário.Diversos programas de desenvolvimento da criatividade aplicados em crianças e adultos ao redor do mundo tiveram resultados significativamente positivos. Indivíduos que passam por esses programas, quando comparados com outros que nunca participaram, são expressivamente superiores em medidas de criatividade.
O que nos interessa aqui sobre esses programas é que, na maioria deles, são aplicadas técnicas para exercitar a imaginação muito semelhantes ao que o RPG propõe. Em um desses treinos com crianças, por exemplo, elas desempenhavam o papel de um detetive para solucionar um mistério.
É evidente que nesses programas incluem outras técnicas, mas a estimulação da imaginação, que é o principal treino, é muitas vezes superior quando se joga RPG. O reconhecimento disso é que muitas escolas ao redor do mundo já adotam o RPG como prática pedagógica.
Conclusão
Por fim, o que se pode dizer a respeito de uma criança que joga RPG é que ela estará exercitando sua imaginação muito mais do que as outras crianças, desenvolvendo assim sua criatividade. Estará também aprendendo muitas novas palavras, pois no RPG costuma-se usar um vocabulário mais formal e romântico, além de que para se jogar RPG é preciso ler bastante. A leitura, neste caso, não é problema, pois o que é lido é algo que interessa e agrada à pessoa, ao contrário do que acontece nas escolas com as famosas leituras obrigatórias, que deixam os alunos com medo até de Machado de Assis.
Sugestões de leitura:
· Alencar E S. Psicologia da Criatividade. Porto Alegre. Artes Médicas. 1986. p. 11-36.
· COSTA, Rodney Querino Ferreira da et al. O uso do RPG na escola como possível auxiliar pedagógico. In: PINHO, Sheila Zambello de; SAGLIETTI, José Roberto Corrêa. (Org.). Núcleos de Ensino. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2007. p. 767-776.
· Fleith D S. Criatividade, expressão e desenvolvimento. Treinamento e estimulação da criatividade no contexto educacional. Petropolis: Vozes. 1994. p. 113-139
· Alencar E S. Psicologia da Criatividade. Porto Alegre. Artes Médicas. 1986. p. 11-36.
· COSTA, Rodney Querino Ferreira da et al. O uso do RPG na escola como possível auxiliar pedagógico. In: PINHO, Sheila Zambello de; SAGLIETTI, José Roberto Corrêa. (Org.). Núcleos de Ensino. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2007. p. 767-776.
· Fleith D S. Criatividade, expressão e desenvolvimento. Treinamento e estimulação da criatividade no contexto educacional. Petropolis: Vozes. 1994. p. 113-139
O peculiar tom em que o capitão do carro-barco pronunciou suas frases merece um pouco mais de atenção. Talvez a palavra "resto" estivesse mesmo sendo empregada em seu valor mais pejorativo. E o "hora de desembarcar" fosse uma referência não somente ao desembarque do carro, mas uma alusão ao desembarque da vida.